terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

mensagem inata mas nunca recebida

leve pena
de ave em cadáver ainda vive:
paira, plana e observa
o mundo aos ares 
panorâmicos da cidade.
não seria beldade
reviver tão nobre animal
e devolver tal pena?

uma conversa que ficou interrompida
por uma trapalhada
severa e doença de dor.
no fim, depois da agonia,
já era tudo riso.

todos fariam parte do culto
que seria rir da morte.
e alguns riem-se.

esta duvida que traz e leva o mar.
esta duvida que parece tabu
na boca dos não inocentes.
contemplem esta filosofia intemporal
desde os inícios ao cyberpunk.

-mas de grande e vermelho
e suculento músculo que tenho,
irei dar-vos, a todos, uma resposta.
como sempre prometido
e escrito em parede de gruta
e gritado meu nome 
no meio de selva e luta,
digo-vos que a minha resposta
chegará por leve ave, pomba, branca,
que carrega folheto divino
que vos convida
para a nova e sempre existente efémera vida
e final dela 
que o universo nos privilegiou.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

acasos

em primavera de rosa,
cravo, giesta ou iris ou orquídea,
sou incentivado
a tocar a urtiga.
conhecê-la, 
porque o mistério é intenso.
e por ser tão insólito ato,
recompõe-me a alma
e sou novo papel
prestes a ser golpeado por tinta.

de modo sinistro,
eu sinto e entendo cada detalhe
de vislumbre forma.
e adoto nova personagem, sem fim.
receio que não seja muito
para tal peculiar urtiga.
fere-me prever.

tudo ocorre de forma
tão detalhada.
seria possível, meu caro senhor,
passar à próxima etapa
de tão nobre conto?
...

passados anos
juntos ao frio:
escassa é a sede,
e forte o entendimento.
morre o mistério.
morre tal planta
em excesso de água.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

s/ título

vertigem e desleixo.
formidável clima
ao caminhar nada solene.
pensativo, dramático, mas nem tanto.
tal olhar exausto
e de respiração penosa.
sem máscara.

ele vive a monotonia
de instalada contrária agonia,
ao nocturno sonho
há harmonia,
ao diurno sonho
há afonia.

no seu pensar
não há vontade.
tudo seria em vão.
o melhor seria sentir 
a química dos recentes anos.
variar no sentir
pode ser que ele se faça ouvir.