sou regido
dentro de rede.
sou resto
de pura raiva roubada
de cabeça rasgada
a cabeça revoltada.
não rogo.
rasgo-me.
refaço-me e rasgo-me.
não fico satisfeito do que me resta.
volto ao meu eu. revolto-me.
reparto-me. regulo-me.
não devia? reporto-me.
parto esmalte, ranjo-me.
repreendo-me.
não sou ríspido.
preciso de educativa, esmerada repressão.
anseio por elucidativa reparação.
não vejo, não entendo o correr da sociedade robusta.
anseio radical revolução.
não devia,
perco a noção das palavras:
a sua ordem, estática, que acerta ao dever;
e fogem-me umas quantas falinhas mansas
que deviam permanecer em mim.
rasgo-me.
perco a realidade.
remonto-me,
quando percebo a existência de ruptura.
restabeleço-me,
recuro-me.
não passo de meu reflexo.
um alguém condicionado, pressionado, rudimentar.
ranjo-me.
sou de remorso,
e se me revelo
perco a ordem que me retém.
recuso-me,
revisto-me,
reverto-me,
não vou acordar,
reinvento-me.
sábado, 19 de janeiro de 2019
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
o murmurinho urbano
não resisto.
falo de mim porque só de mim sei.
não olho,
não peco
ao rasgar olhares turvos
que quase me atingem.
faço-o às cegas
num universo fechado; inexistente.
faço-o ao respirar.
repelo o impuro.
sou o que sou, e mais não quero.
sou o que a raiz austera da vida me alimenta.
sem químico.
sem mistura.
sem dedilhado humano à fervura.
nojento este ser que contamina
em cada robusta pernada
e certa vida termina.
e toda a calçada,
toda a rocha que compõe o solo,
e a fresca relva
são agora de cheiro plástico,
aroma sintético de maquinaria cinza:
barulhenta, ofegante, constante, irritante mutante da vida.
meramente lixo semeado
que está, agora, contido em completo lado.
não sobrevivi.
falo de mim porque só de mim sei.
não olho,
não peco
ao rasgar olhares turvos
que quase me atingem.
faço-o às cegas
num universo fechado; inexistente.
faço-o ao respirar.
repelo o impuro.
sou o que sou, e mais não quero.
sou o que a raiz austera da vida me alimenta.
sem químico.
sem mistura.
sem dedilhado humano à fervura.
nojento este ser que contamina
em cada robusta pernada
e certa vida termina.
e toda a calçada,
toda a rocha que compõe o solo,
e a fresca relva
são agora de cheiro plástico,
aroma sintético de maquinaria cinza:
barulhenta, ofegante, constante, irritante mutante da vida.
meramente lixo semeado
que está, agora, contido em completo lado.
não sobrevivi.
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