vivo num tecido branco
a sobrevoar a roupa que visto
e que se sobrepõe
à rasgada,
pálida, rosa, vermelha,
queimada, em ferida,
doente,
pele que protege
uns quantos órgãos e difíceis/perfeitos metabolismos
que suportam algo que ofereço a este momento de escrita.
e deste tecido que vos falo:
queria eu fazer um confortável lar
onde me fosse viável:
sentir cheiro a rosmaninho de toque,
experimentar o verdadeiro ferver de confortável hibernação,
saber queimar tempo a subsistir o presente.
inconcebível.
somos interação.
uma rede monstruosa
de todas e quaisquer formas de movimento,
que nos rasgam, consomem da carne, vertem a não-novidade
e amplificam o que já existe.
(maldito perigoso livre-arbítrio;
todo o som, ou luz, ou qualquer propagação universal comunica.
ouve-te. que dirias tu a esta novidade?)
este lençol já não é pálido.
este mundo já não é pálido.
este planeta já não o é.