meus olhos a pendurar árvores,
minha boca faz nascer flores,
(ainda que pequenas, frágeis e prontas para o trespasse)
meus braços ramificam rostos
e estes meus pés mais leves que areia
pintam nos céus cadências
que padronizam ideias que se refletem em meu cérebro.
a loucura
limito-me a escrever
quando os dedos estão cravados de farpas.
antecedentemente, morreram vários cravos, narcisos e tulipas.
passeava as pernas.
comia os legumes.
prometia-me amores e ciúmes.
nasciam-me umas quantas ideias modernas.
procurava insistir numa âmbição que provavelmente não existe.
adormecia a ouvir canções que não são para se adormecer.
confundi-me e triturei este passado
que já não me colorifica.
não me sei contar ou frisar.
não ceifo ou colho teorias, posições ou ideias.
não o faço mais.
pois, estou de língua ácida,
com uns olhos que tecem uma malha encarnada,
por vezes contam o mar,
um mar vermelho.
se me miro e me penetro nesse mar:
ah, a viagem.
a loucura.
a minha própria loucura a crer nas leis físicas,
a colidir-me e quebrar-me os ossos e os dentes.
e só resto eu. só.
eu, a roer os dedos e os pulsos.
eu, a contar-me que existo.
que sou eu agora?
medonho miserável desprotegido.
estas gengivas pintam em vermelho,
dentes rachados, nariz de apodrecimento tingido
e lábios murchos de tamanha realidade que pronuncio.
lapsos incoerentes para vós?
sou monte de incerteza.
e que posso eu prender, agarrar, implementar em minha pele?
ou em minha alma?
em tentativas frágeis, se me perco em fractais
penso em ti amor
e em ti verde-mãe.