quarta-feira, 27 de maio de 2020

a prova nobre da paciência

fraturo pedaço de esmalte
contra granito
rígido, íntegro, concreto real impacto.

escoo-me de pernas soltas, separadas
num ninho de areia que se apodera de mim
lento, constante, durável.
a-prova-nobre-da-paciência.

sirvo-me bebida, pão
de veneno e cristal-grão
afiado que pinta pontos,
forma-me linhas,
separando planos,
entre as entranhas
que me desenham, lentamente, apetecíves
recortes moleculares.

num vão temporal.
fotografias de autópsia,
órgãos, vísceras e cabelo
grudentos em fuligem.
um enterrar
desmedido e agudo.
um relembrar de amolados olhares
daqueles que se auto-afogam.
e eu não choro. não, hoje.