terça-feira, 25 de abril de 2017

vértice interior macróbio

iremos sobrevoar
que nem uma tarântula
a dançar perante a presa,
perante aqueles que caiem,
rompem do peito ao calcanhar
e depois vivem o diem
num fluxo de carpe,
ah, esqueçam lá o requiem.
somos as presas,
na complexidade de teia,
e estamos encurralados.
sempre condenados.

não aspirem tão raso.
nós voamos,
roubamos vida
ao pairar da cidade,
controlamos o sossego,
estamos no sossego
e quem desejar
romper tal paz,
nirvana é resposta.

nirvana onírica
não específica
e desmistifica.

ponto de encontro 
nas manhãs de medo
condenadas ao delírio.
esqueces a vida
quando cada pedaço
de ti em pele
se transforma num rio
de formigueiro
em sensação poderosa.
deus comum
a viver do século.
és mais, já sentes?

sábado, 22 de abril de 2017

um robô desconfigurado

lado a lado,
corte de cintura
à íris florida.
raiva escura,
guerra vermelha,
agonia branca.
esticar ao limiar
com um forte grito.
leva ao leve vento
forte desejo de alimento
comida-carvão, rato.

perda de vitalidade...
sem importância?
com consistência.
e eu, bipolaridade da alternância
e presto homenagens
a quem previne diligências
e a quem as define
e as manipula.

suave coro 
na natureza
ao transtorno
do corte ousado
ao mundo-fruto. 
por vezes estes
fabricados ao fumo industrial
do homem-demência.
sintéticos os vossos.
estarão meus olhos
corrompidos de fumo?
serei eu robô?
"senhor robô, 
aperte a gravata!" 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

vincado momento

mais que arrepio
pesado e rápido,
vincado movimento
que marca um pensar
sobre momento de passado
que foi desastre,
um ultraje.

e quanto mais
e me elevo
na torre-memória
cortam-me sem misericórdia,
como quem dedilha
guitarra: em cada corda
um membro fora,
um respirar que outrora
fora calmo e sedativo.

e tal capricho
aqui descrito
deveria ser chuva
sagrada que limpa,
mas passa por, uma
ou duas falsas gotas
divinas a quem presto
nenhuma e muito homenagem.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

final de estrada

é o demónio
que nos descrê
e consome-nos sem motivo.
somos usuários de coroas de espinhos.
não há força que nos valha.
destinados estamos
e não pensamos nisto?

será melhor viver por baixo 
do tecido vencedor?
será melhor tentar esquecer
a avareza que nos destina?
será?

fico sem dom.
sem alma
sou um nada,
quando tudo podia ser.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

és na minha mente

olhos cinza,
cigarro de cinzas,
pálida de peles,
vive em friezas.
neutra que nutre avarezas,
constrói fortalezas
com detalhes impróprios
e muitas fraquezas.
material-areia faz suporte lento,
fraco e escasso.

carrega fardos,
pesos, volumes,
olhares em paisagens,
vivências sentidas
num passado emocional.
foge e difere dos antepassados. 

corre! foge da realidade!
lábia domesticada,
e atrás do rosto
um mundo novo
distorcido e real.
um real irónico.

ah, às vezes...
frágil, de perfume forte.
um sorriso roubado,
apagado, disfarçado?
roleta de faces,
caminhos perdidos,
faces a que te prendes,
não te arrependes?