meu intacto olhar, imortal
à palma de uma fortuna
que se via da ilha.
ilha, esta, que se vendia
a linhas de costura
que se riam ao horizonte.
e de um azul que não adormecia
e de um branco que se vendia
ao longe surge, certa vida?
mas era distante,
e meu intacto olhar
que pensara eu ser imortal
é levado como que força-vital.
agora o olhar é fresco,
reluz num tom animalesco
que uiva aos ares;
e de tanto mar,
eu vendia a imortalidade dele.
ao longe eu vi algo, atento,
que me mortalizou os olhos,
e me espancou o pensamento.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
sábado, 9 de dezembro de 2017
consciência, luto
hoje ela estava sentada,
a pele cai-lhe e não só.
toda a força lhe cai,
a agulha fere-lhe desta vez
e já não tortura a película,
pois a dor,
ah, a dor é-lhe dormente
de tanta ferida que não fecha em cicatriz,
e range o choro contra o ombro do filho
num desespero, um aperto de gatilho.
e toda a primavera que existiu,
neste perto do fim,
é-lhe concedida em cinzas, carvão
e suja sensação.
ela vê hoje amigos que lhe voam
para o algo que ninguém sabe.
mas ela sabe que um dia,
de alguma forma, ela também irá.
num deslize, no ápice do ar
a faca trespassará a vida sem duvidar.
e pesa-lhe deixar toda a parte dela
que está contida nos parentes.
hoje ela é outra pessoa.
e no próximo segundo o desconhecido.
a pele cai-lhe e não só.
toda a força lhe cai,
a agulha fere-lhe desta vez
e já não tortura a película,
pois a dor,
ah, a dor é-lhe dormente
de tanta ferida que não fecha em cicatriz,
e range o choro contra o ombro do filho
num desespero, um aperto de gatilho.
e toda a primavera que existiu,
neste perto do fim,
é-lhe concedida em cinzas, carvão
e suja sensação.
para o algo que ninguém sabe.
mas ela sabe que um dia,
de alguma forma, ela também irá.
num deslize, no ápice do ar
a faca trespassará a vida sem duvidar.
e pesa-lhe deixar toda a parte dela
que está contida nos parentes.
hoje ela é outra pessoa.
e no próximo segundo o desconhecido.
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