sábado, 9 de dezembro de 2017

consciência, luto

hoje ela estava sentada,
a pele cai-lhe e não só.
toda a força lhe cai,
a agulha fere-lhe desta vez
e já não tortura a película,
pois a dor, 
ah, a dor é-lhe dormente
de tanta ferida que não fecha em cicatriz,
e range o choro contra o ombro do filho
num desespero, um aperto de gatilho.

e toda a primavera que existiu,
neste perto do fim, 
é-lhe concedida em cinzas, carvão
e suja sensação.

ela vê hoje amigos que lhe voam
para o algo que ninguém sabe.
mas ela sabe que um dia,
de alguma forma, ela também irá.

num deslize, no ápice do ar
a faca trespassará a vida sem duvidar.
e pesa-lhe deixar toda a parte dela
que está contida nos parentes.

hoje ela é outra pessoa.
e no próximo segundo o desconhecido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário