terça-feira, 31 de outubro de 2017

o pós-carne

universo que expande
à dor nefasta
e sucede liberdade.

desvio
que se desvia
à escolha de um desvio.
a polaridade da vida.

- está alguém por perto?
a ânsia da procura.
perde a tinta,
escoa-a entre a rua,
faz ao desvio finta,
isto,
até ao fim do tempo.

o silêncio que perdura,
o infantil pensar de alvura,
o trato ao oponente imaginário,
o anjo caído só
na noite mais escura;
a traição,
e os mortos desconhecidos 
que nos procuram;
ninguém o sabe.
no fim do tempo
o arché-dúvida perdura.

ah, ser absorvido
pelo pensar sedentário
num sono solitário
aos olhares invisíveis.
há infração.

o universo exalta-nos,
o anjo caído lacrimeja.
um grito de adeus,
a saudação do repouso,
a calmaria certa do vento,
e o não movimento
do músculo-sangue
ao fim do tempo.

está alguém aí?

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