pt•1
esta terra,
este vento,
este amarelo a mergulhar uma fusão de cores;
este exato momento,
quero seu controle,
não correrei atrás do movimento,
quero-o em mim
em forma eterna,
imortal em carne seca, salgada, putrida em boca cheia de ave que sabe gritar o agora.
pt•2,3
pinto o que vejo,
guardo o que o olho, vidrado,
não vê,
guardo o que (em ti) não transparece.
encaro(-te). guardo, reflito,
intrigado, aos olhos
que pedem certa e qualquer vida.
pt•3,2
sagaz perceção,
um estímulo cósmico prende-me braço.
vidrado, indeciso, ausente,
deixo que me dite o presente.
por qual razão me levas momento?
e neste rasto,
que traças,
que me alcanças,
que me persegues em firmes tranças,
o tempo estica
e cintilantes, luminosos, determinados, momentos discutem minha vida
enquanto os observo; disto penso:
o que seria eu, nu,
de carne aberta às leis da selva,
às forças que forçam meu rosto
à morte-imposto?
e por qual razão me tomas o braço agora?
e fazes-me correr atrás
como animal veloz, silencioso, defensivo que vejo.
pt•4,3
silhueta espelhada,
noturna, quente,
vincada, crua, esta alma.
fui guiado pelo vôo
que transcende vida
num simples gesto de um nascimento traçado até à sua morte.
ocasional perdido caminhar.
neste leque de ar
todo labirinto é percurso de meu sangue,
todo o fluxo corre às explosões iniciais, universais, que ainda hoje respiram,
respiro o desconhecido,
sinto febre de sentimento enaltecido.
ah, e as condicionantes,
toda a barreira,
todo o pedaço de terra-tecido,
rasgo-os!
rasgo e uno as pontas;
ânsia matreira,
cedo-me.
pt•5,4
forço osso em êxtase
pelo inseguro, insolente,
infantil, natural lacrimejar.
ah, o agora...
o antigo agora queria eu pairar,
viver do mais que tudo,
do agora queria eu eternamente rasgar os céus,
perder-me na flora,
aconchegar-me à (tua) presença,
socorrer a minha febre
ao (teu) frio,
pintar com meu sangue (teu) tecido pálido.
pt•6,5
e deste agora,
roubo eu papel e tinta ao mundo;
quando outrora
o mundo terá sido
o ladrão do motivo
que me força mão
e repete num eco-constante pensamentos-sonhos.
pt•7,6
realidades difíceis.
fábrica utópica.
raro meteoro que rasga os céus.
intensa luz estrelar.
um símbolo?
uma mensagem?
é(s) uma estrela cadente?
peço em rugido-mental
que todo o momento
abafe o tempo
e me faça embarcar
ao esplendor do sonho.
perdi-me.
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
quinta-feira, 9 de agosto de 2018
odaxelagnia
som vago,
voz seca,
mudas palavras na aragem,
mente que peca
e um quente-frio ferver.
aceso, iluminado,
discreto pensamento
causa-me mazela - tosse,
seca - como que aniquilador de silêncios,
uma salvação às palavras que lhe custam a sair;
um bafo húmido,
agora, palavras camufladas rodeiam em espinhos o clima.
meias-palavras, boca entreaberta,
fumo na silhueta que some ao frio da rua.
quem serás realmente?
espelho de nevoeiro,
olhar imortal.
não me perco, não me perdi.
intrigo-me,
sou criança,
procuro cada contraste
deste enfadonho mundo
que me faça erguer
braço, perna, queixo,
roer a constante branda monotonia
que me agonia.
procuro tinta que aniquile
toda pintura já atingida
por múltiplos olhares.
procuro o ruído
que infiltre na minha mente
um novo astro que ascenda toda a manhã e morra ao cair do dia.
procuro a sensação de que a liberdade é a terra por onde piso,
procuro a porta às tuas palavras,
não me esforço?;
anseio certa voz cravada na pele,
a dor,
o ruir da noite,
o profundo calado olhar,
o encobrir,
o revirar,
o quente inexplorado fluxo que te escorre do pescoço ao chão,
o morrer do tempo,
o estremecer da pele
que sente o enterrar de velhas sensações, absorvidas, muitas.
voz seca,
mudas palavras na aragem,
mente que peca
e um quente-frio ferver.
aceso, iluminado,
discreto pensamento
causa-me mazela - tosse,
seca - como que aniquilador de silêncios,
uma salvação às palavras que lhe custam a sair;
um bafo húmido,
agora, palavras camufladas rodeiam em espinhos o clima.
meias-palavras, boca entreaberta,
fumo na silhueta que some ao frio da rua.
quem serás realmente?
espelho de nevoeiro,
olhar imortal.
não me perco, não me perdi.
intrigo-me,
sou criança,
procuro cada contraste
deste enfadonho mundo
que me faça erguer
braço, perna, queixo,
roer a constante branda monotonia
que me agonia.
procuro tinta que aniquile
toda pintura já atingida
por múltiplos olhares.
procuro o ruído
que infiltre na minha mente
um novo astro que ascenda toda a manhã e morra ao cair do dia.
procuro a sensação de que a liberdade é a terra por onde piso,
procuro a porta às tuas palavras,
não me esforço?;
anseio certa voz cravada na pele,
a dor,
o ruir da noite,
o profundo calado olhar,
o encobrir,
o revirar,
o quente inexplorado fluxo que te escorre do pescoço ao chão,
o morrer do tempo,
o estremecer da pele
que sente o enterrar de velhas sensações, absorvidas, muitas.
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