som vago,
voz seca,
mudas palavras na aragem,
mente que peca
e um quente-frio ferver.
aceso, iluminado,
discreto pensamento
causa-me mazela - tosse,
seca - como que aniquilador de silêncios,
uma salvação às palavras que lhe custam a sair;
um bafo húmido,
agora, palavras camufladas rodeiam em espinhos o clima.
meias-palavras, boca entreaberta,
fumo na silhueta que some ao frio da rua.
quem serás realmente?
espelho de nevoeiro,
olhar imortal.
não me perco, não me perdi.
intrigo-me,
sou criança,
procuro cada contraste
deste enfadonho mundo
que me faça erguer
braço, perna, queixo,
roer a constante branda monotonia
que me agonia.
procuro tinta que aniquile
toda pintura já atingida
por múltiplos olhares.
procuro o ruído
que infiltre na minha mente
um novo astro que ascenda toda a manhã e morra ao cair do dia.
procuro a sensação de que a liberdade é a terra por onde piso,
procuro a porta às tuas palavras,
não me esforço?;
anseio certa voz cravada na pele,
a dor,
o ruir da noite,
o profundo calado olhar,
o encobrir,
o revirar,
o quente inexplorado fluxo que te escorre do pescoço ao chão,
o morrer do tempo,
o estremecer da pele
que sente o enterrar de velhas sensações, absorvidas, muitas.
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