dia 1
a poesia morreu;
e eu.
dia 2
à cana do nariz.
tanto o toque: rasgada pele,
indolor fria cicatriz
corroborada por vermelha, em fervura, vida.
sinto, com atenção:
a surdez quieta do mundo,
o foco ao teu rosto,
o desejo momentâneo,
o teu silêncio.
troco um olhar por um sonho.
sonhei mais que nunca.
senti-me robusto animal em real simulação
a pintar o seu mundo de inverno.
não peço por sono.
resisto-lhe.
peço, sim, por vividos dias
anexado à aura
que me força a contornar a realidade
e a viver de embruxadas melodias.
dia 3
na noite
vivemos da mocidade.
o vento sussurrou-me palavras
e eu aqueci o teu ouvido.
não carrego o dom
de manipular as palavras
num tom de expressar o que depois surgiu,
mas ainda hoje vejo corante
na palidez da tua não-paz;
e se me foge a realidade
vejo-me contigo naquela praia.
e se vivo em quimera o que seria sanidade?
(a vida são três dias e mais umas quantas invenções)
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