domingo, 20 de dezembro de 2015

Ridículo

Ridículo 
É: ela, o cacho da realidade da fruta do nada.

Vejo a sua silhueta,
E transfiguro-me numa sombra vazia,
de tal forma estou fora do planeta.

A minha mente faz-me feliz:
concebe-me imagens deste cacho,
onde eu sou a raiz da sua força.

Ah, se eu fosse a realidade concreta!
O futuro é tão amplo, penso.
Limpo incompletamente a imaginação,
e estes resíduos perturbam-me
tanto que grito à nação!

É então que ascendem as míseras falsas memórias,
e excessivamente visões do cacho.
É então que me culpo,
que faço a consciência rastejar ao ardor dos infernos.

Caí na realidade.
Ela é a realidade que nunca posso atingir,
pois eu sou o nada à sua observação.
Estou ciente que tenho de parar de me cingir com o nada,
Ah, tanta vulnerabilidade!

Estou errado.
Eu sou o vento que grito,
sou a escuridão da minha sombra.
Falta-me a ruído do grito.
Falta-me a ocupação da forma da sombra.

Falta-me sentir o excêntrico e o leve.
Fujo do que sou
porque não quero ser quem sou
e porque posso finalmente ser quem sou.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

o interior dos olhos

Levito-o ao núcleo e então,
dá-se uma necessidade.
Crio o pão.
Escorrem lágrimas de um corpo;
salgadas, estas.
Doces os choros.
Faço-o sentir o movimento fabril dos maxilares.
Musicalmente penso as migalhas
caírem no chão.
Escorrem-se mais lágrimas:
formam-se oceanos.
As migalhas boiam no infinito,
Fazem-se ondas,
e oiço-as a esbarrar no arenito.

Tão aborrecido este ambiente!
Apoderam-se carnes e ossos do mundo,
e criam, como deuses, o bem e o mal.
Deuses creem em deuses.
Inadequadamente, estes violam regras não existentes.
Ridículos pensamentos, estes.
Morrem todos e tudo.

Aborreço os olhos:
fecho-os, 
vejo o nada e construo o tudo.

Se tudo o que vejo é pensado,
foge-me a realidade.
Se tudo o que existe é realidade,
vivo no nada(r) do mar.
Desisto do imaginar.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

a ilusão do vazio

O vazio da frieza do mundo
é preenchido todos os dias.

É-se dada a ilusão global.
A tal ilusão do conhecimento
que acaba por se transmudar
na sua própria ilusão.
Eu não quero vindicar
mas vejo as chamas a ambicionar.
Talvez as pesquisas sejam fingidas.

As mentes mentem
e acreditam em mentiras.
O poder é a moeda no ar.
Será croa enquanto no infinito.
Será cara enquanto rasteja o erudito.
A escolha é a moeda
e a sorte cairá no chão da queda.

bem acolhido


Ao vento da vida noturna escrevo,
queria dizer-lhes que estou bem.

Apesar disso, sinto-me mal.
Estou cansado e desapontado,
vejo caras e almas e nenhuma me responde.
Eu pergunto sempre o mesmo, 
mas nenhuma me responde.
Talvez não saiba perguntar,
ou talvez não queiram responder.

Irei aliviar a alma aqui;
alma sombria de memórias presas.
Pretendo libertá-las.