domingo, 8 de janeiro de 2017

o mais que terno

distantes e velhos e acabados
conto os dias
que me nem
são acabados
porque nem sei
até quando isto durará.

e que venham mais
horas de silêncio
e que se façam mais protuberâncias
nos caminhos por onde piso.
venha, venham.
cresçam rápido.

é tão fácil
viver assim
de calma na alma
que se acalma
ao pensar
que não penso mais
no que fiz e farei
ao despertar da manhã orgulhosa.

é tão fácil
ver o que é viver
sem sentir a união 
e o contacto transparente
que se via, 
e ainda se vê
quando era tudo melodia.

e se é para caminhar
pelo inferno
que me comprem o valor
de tais atitudes.
que o façam, rápido
e com descuido,
que o façam
de mãos apertadas
ao melhor conhecido,
colega e supremo,
do paraíso
que por mim foi atingido.

ah, e a consciência lá.
sou eu, agora,
a sentir o mais que terno.
nem mereço,
nunca mereci.
que riso agora,
ah, agora vivo a vida.

quando foi tudo
uma mera brisa
da manhã orgulhosa.
já se faz sol
mas ainda sou noctívago.

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