segunda-feira, 17 de julho de 2017

liberdade de mente

paisagem marinha.
ondas que vão,
retornam sempre
e mais carga levam.
até que: catástrofe.

e construo o horror,
bloco a bloco,
edifício estilo barroco,
fazendo do nada
faço tudo.
mas que nada?
qual nada? qual tudo?
labirinto de convergências,
acasos de alternância
que se tendem em prudências.

facilmente concedo-me,
e perco-me entre o cair
das cores e da mental-sinestesia.
ah, da pura liberdade
reencarno a ave.
sou fogo-auréola de anjo
quando das penas me pego
e descubro para além dos mares.
vem-me no sangue
a sedenta vontade
que me afasta de morgue
e faz da carne
película dobrável,
que vagueia à luz 
pelo branco e seu cerne.

rua medieval de injúrias

desalinho as linhas
que de piano fazem vida.
limiares de organização
turvam-me a visão.
tudo em raiva, crespo.
forte raiz rugosa rege 
de vivências que protege.

espasmos de carne,
espasmos mentais.
ora, medieval fronteira
ocorre-me:
faremos duelo nobre.
sangue exaltado,
gritos eufóricos,
últimos suspiros
e paz.

atentos olhos
prestes a saltar,
energia desce até à boca
e coisa que me perturba,
culpar o outro por minha
instabilidade e culpa.
humor feroz, tímido
e intercalado
solta-me impressões
em turbilhões do pensar.
injúrias e perco-me em multidões.