terça-feira, 22 de agosto de 2017

tinta-sangue

desfigurada pele
ao tom de violentos olhos.
um escuro avermelhado
e uma clareza de propósitos.
a morte,
a matança,
que me alcança;
enquanto percorro a calçada,
fria, ao fervor da vida,
uma ameaça mais que divina,
real.

um corredor de espelhos,
não um retrato, vários.
do outro lado,
um corredor de retratos,
e mais que espelhos espalhados.
porque me faço mirar?
como se cada parcela de tinta,
cada cubículo de vários retratos,
fosse, em precisão, 
uma separada coleção.
disjunções de um início.
uma definição de universo.
eu mesmo ao tato
de uns quantos. 
todavia não o posso sentir.
um cortar de membros, 
que, separados, 
avistam o mundo.

um relógio de sangue,
em calmo açougue,
pinta o tempo num tic-tac.
e tal aberração e tais assombrações,
de quem a noite nos teme,
são mais puro espelho
do que em nós existe.

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