deixa-me na chuva,
pois isto é mais que tortura,
mais que anteceder a própria morte,
é fazer na própria alma sufoco-corte.
e eu quero tanto,
mas nem consigo expor-me.
da minha voz foge a força
e sou deserto-oceano.
algo que nunca sou
num lugar remoto,
entre uma onda,
entre um maremoto...
seguro um prisma de cor
que reflete mundos.
eu, preso entre mundos,
condeno-me ao chão verde,
desligo o ver.
onde os sonhos são palpáveis:
e estamos perante uma génesis,
uma batalha medieval,
um romance sem final,
a imortalidade de um olhar,
e quando olho para ti
és apenas pó do meu pensar.
a dificuldade de me assentar
no que afinal é real
rouba-me futuro
e força de carne
num dos mundos.
de escolha entre eles
dedico-me à fantasia,
um tormento que me condena
a uma afinidade à distasia.
esta, a saga de outro mundo,
é uma constante espiral,
onde passeamos até ao seu fundo.
e perdemos tudo,
de vida na mão
fazemos um jogo de dardos.
sou um fã do sonho
e de ti.
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