não fabricarei.
respiro este ar noturno,
a máquina processa este sangue;
quente pressa por entre a carne.
não pensarei a poesia,
e estas letras, palavras, sairão
como que chuva-sangue que pinta chão.
a terra pede brasa.
uma revolução de vida.
a raiz é débil,
a flor é rara.
num ocasional olhar
por entre feixes solares
como que mensagens divinas e individuais
cria-se cenário-panorama divino.
o vento canta e embala por onde passa
à gelada voz de anjo.
a primavera em estátua que move,
um molde de beleza,
um querer existir em arte.
de tal encanto:
fecho os olhos. crio o cenário-réplica.
guarda-o.
reflito.
a vida enruga ao universo,
às leis e aos existires globais
e que faço eu?
preso a este ser que a mim me segue;
cada passo à vista é sombra roubada,
cada molde espelhado é versão do meu eu melhorada
e eu contemplo-a.
contemplo o fulgor que lhe envio,
contemplo cada pétala que lhe assenta.
contemplo a lucidez que recebo.
o mar acaba-se, a mente está viva, ancoro o navio.
ah, esta cegueira de foco ao clarão do sol
e tudo fica límpido quando encaro o raro girassol.
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