de infeliz feição conto-te a ti,
ó tu que lês, que hoje não é o dia.
queria tanto isto contrariar!
hoje não sigo um pressuposto rumo, creio;
não sou um propósito de acontecimentos, creio.
hoje não se perde a palpitação irritante
que me sussurra favoráveis formas
de ser o que pior se pode ser para quem nos é bom.
hoje sou egoísta e peço para deixar de o ser.
hoje vivo atrás do que me adormece.
hoje procuro (ainda), de forma covarde, o vazio imortal.
perdi fé em mim, no universo e nele envolvido com as minhas ideias.
tenho percorrido pelo orvalho
nas madrugadas mais silenciosas
para te ver mais uma vez
de olhos escondidos,
boca a respirar e a contar inconscientemene as vezes que vives.
tenho percorrido pela memória,
tenho feito para correr contra o tempo
e imortalizar-me num mero segundo onde sinta o êxtase do que éramos.
tenho perdido infinitas vezes.
tenho errado infinitas vezes.
sou cervo do meu corpo,
mero pedaço de inutilidade;
um prisioneiro de memórias
pronto a ser calcado e triturado por mim próprio.
até se faz sol,
e a natureza vive incompreensivelmente;
contudo, não há impulso que me vire.
hoje estou parado na mesma berma,
onde me senti estático-frio-vulnerável
ao complexo desencadeamento da consequência.
hoje não me visto,
hoje não caminho,
hoje não sou eu.
estou perdido.
hoje não sou teu.
e podia ser hoje o dia em que sou sacudido
e abandono a consciência que em mim existe.
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