inconvenientemente, os dias escrevem-me.
por vezes, transparecem em som.
este recorte fotográfico verbal:
num envolvente cinzento cenário,
ambiente abatido meio-pálido, ergue-se um leque de momentos.
(queimados de luz, já:)
grades, redes e muros.
lá estão eles.
não vos percebo a vós.
e invejo-vos a todos.
bebeis do mesmo todos os dias.
sois o mesmo sem falha, sem declive.
sois rasos.
sois areia fina que se deixa levar sempre pelo mesmo.
sois o ferro planetário que decide ordem.
e eu que por não ter o descanso que anseio,
prefiro fingir-me grão de outra coisa que não vos sei contar.
se me olho,
permito a cor penetrar no espelho
e permito ser refletido.
se me tento entender entre a infinidade de reflexos
que do meu olho ao espelho me conta a ilusão,
finjo que não estou perdido pela aura de bafos que me circunda.
vinco meu pé em terra
e, se me apercebo deste instante,
faço-me por controlar o que respiro;
por lapso, rasgo fragmento (pequeno) da durável palpitação.
ah, e o controlo da visão, não-turva,
que me quer mostrar algo
que eu nunca vejo, nunca vi.
existe um eco que assobia em meu rosto.
pendido, eu penso.
levo-me, constantemente, pelo firme pensamento
de que algo
pinta um rasgo perturbador na tinta da arte.
algo está errado,
e não sou eu,
não sou eu,
não, sou eu.
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