vivi. rompi gengivas,
sangrei os joelhos.
sobrevivi. parti maxilares,
caí, e saltei de novo.
sobrevoei a vida que planeei.
e foi isto.
a vida não é nada do que dizem.
nem de perto.
a vida é um constante pensar
sobre o que fazer,
se inteligente pensar a longo prazo.
mas viver pelo momento,
é saborear o saber viver,
o saber expressar vida,
saber ditar vida,
falar por cima dela.
e isso é ser deus.
um mero aprendiz
que constrói castelos de areia
não sente o poder
de mudar a vida num olhar,
mas pode.
tudo tão delicado e fino.
a mero toque
explosão de vida,
ou de morte.
sombria, firme de pé
de foice na mão
um sorriso malicioso
e tudo foi em vão.
ou não, então,
traz-me um sermão,
senhor desilusão,
agora faço parte da exclusão,
aqueles que respiram a própria conclusão.
terça-feira, 21 de março de 2017
domingo, 19 de março de 2017
queda do tabuleiro
cadeira presunçosa
nunca usada,
há quem prefira um lençol
sedento por seiva humana,
com vermes ali
em minha pele afastada.
levanto à luz,
finto a cidade entre os locais
que mais me falam.
uns quantos gestos
e procuro,
aliás eu procuro-te.
mas onde andas tu?
vejo-te...
nem sempre venho a esta cidade
faremos disto
um ato digno de ser apreciado.
faz-se nevoeiro,
onde estás tu?
perdi-te entre o macio.
pensei sermos o mesmo segmento,
a mesma linha de mão,
ainda assim,
sou rasgado em membros.
arrancaram-me tudo,
e a cada porção de mim,
um novo eu.
sou mero puzzle inacabado,
de vísceras unificadas, afastadas.
e tu carregas a última peça.
e hoje ceifo-te,
a preto e branco,
num quadrado, num flanco,
pois essa última peça
em tantos degraus tropeça!
nunca usada,
há quem prefira um lençol
sedento por seiva humana,
com vermes ali
em minha pele afastada.
levanto à luz,
finto a cidade entre os locais
que mais me falam.
uns quantos gestos
e procuro,
aliás eu procuro-te.
mas onde andas tu?
vejo-te...
nem sempre venho a esta cidade
faremos disto
um ato digno de ser apreciado.
faz-se nevoeiro,
onde estás tu?
perdi-te entre o macio.
pensei sermos o mesmo segmento,
a mesma linha de mão,
ainda assim,
sou rasgado em membros.
arrancaram-me tudo,
e a cada porção de mim,
um novo eu.
sou mero puzzle inacabado,
de vísceras unificadas, afastadas.
e tu carregas a última peça.
e hoje ceifo-te,
a preto e branco,
num quadrado, num flanco,
pois essa última peça
em tantos degraus tropeça!
terça-feira, 14 de março de 2017
florida lei
faz-se lagoa,
avermelhada e quente,
que faz pulmão pedir vida
e catalisa no peito
reações de fusão
quase em ficção
de um mero romance
com aura poética.
nasce-me ódio
por final ser poço
de líquido sangue à superfície.
das portas fazem-se janelas,
as paredes tornam-se o chão.
um chão eclipse
de grãos semeados,
dos pequenos feijões
fazem-se homens
dignos de pétala amarelada,
flor roubada
que rouba raio.
gira, torce e rompe
atrás de bela arte.
é sim, belo girassol.
animal nada robusto,
faminto de estômago florido,
rouba pétala,
uma a uma.
sabor nada intenso,
mas ainda é o seu desejo.
inocente ser,
atraído por tão bela cor e forma
acaba a boiar em poço,
morto, à superfície.
avermelhada e quente,
que faz pulmão pedir vida
e catalisa no peito
reações de fusão
quase em ficção
de um mero romance
com aura poética.
nasce-me ódio
por final ser poço
de líquido sangue à superfície.
das portas fazem-se janelas,
as paredes tornam-se o chão.
um chão eclipse
de grãos semeados,
dos pequenos feijões
fazem-se homens
dignos de pétala amarelada,
flor roubada
que rouba raio.
gira, torce e rompe
atrás de bela arte.
é sim, belo girassol.
animal nada robusto,
faminto de estômago florido,
rouba pétala,
uma a uma.
sabor nada intenso,
mas ainda é o seu desejo.
inocente ser,
atraído por tão bela cor e forma
acaba a boiar em poço,
morto, à superfície.
sábado, 11 de março de 2017
terrestre-marciano
deixo p'ra lá
umas quantas,
pois quando desejo
solto que nem chuva,
meteoros de boca de dragão.
a sentir o senhor Marquês?
recomponha-se!
ah, viva, viva Portugal!
falta-me a sinonímia
de expressão alienígena
nada breve,
com metros a metros
de raio planetário.
como hei-de eu e tu,
meros seres longínquos
ser diferentes?
posso dizer-me?
estarei diferente?
é que...
eu poderia ficar na tua mente
o que significa estar longe
e então somos,
num instante,
a todo o momento, forasteiros,
iguais.
umas quantas,
pois quando desejo
solto que nem chuva,
meteoros de boca de dragão.
a sentir o senhor Marquês?
recomponha-se!
ah, viva, viva Portugal!
falta-me a sinonímia
de expressão alienígena
nada breve,
com metros a metros
de raio planetário.
como hei-de eu e tu,
meros seres longínquos
ser diferentes?
posso dizer-me?
estarei diferente?
é que...
eu poderia ficar na tua mente
o que significa estar longe
e então somos,
num instante,
a todo o momento, forasteiros,
iguais.
instantes sonoros
o que é autentico,
sem químico sintético
e com destreza, mas nem tanta,
com nostalgia no olhar,
devia impor-se a um estado
na parcela mais pequena
que vigia o mundo
em visão nada fantasiosa
para o tudo.
o que me faz e traz para este estado
em concreta persona
é o escuro centrado num sol,
fraco sol,
não pode ser quente, nem frio
ah, que seja frio ou quente,
tragam-me este estado,
este sentir espiritual, astral,
e que seja permanente.
somos um conjunto
de instantes todos diferentes,
que nos coordenam
e nos moldam ao som
de sinfonia, tão bela é música.
é da música.
sem químico sintético
e com destreza, mas nem tanta,
com nostalgia no olhar,
devia impor-se a um estado
na parcela mais pequena
que vigia o mundo
em visão nada fantasiosa
para o tudo.
o que me faz e traz para este estado
em concreta persona
é o escuro centrado num sol,
fraco sol,
não pode ser quente, nem frio
ah, que seja frio ou quente,
tragam-me este estado,
este sentir espiritual, astral,
e que seja permanente.
somos um conjunto
de instantes todos diferentes,
que nos coordenam
e nos moldam ao som
de sinfonia, tão bela é música.
é da música.
queda restrita
deixo o meu cunho
por onde passo.
nas ervas daninhas do campo,
nos telhados de palácio,
ou nas ruelas mais merdas.
enfim, todo o lado é meu odor.
odor que me diz
que eu já não sou eu
e nem sinto pena,
mas porquê?
tais sensações de gozar
e não compreender,
tocar o véu do teatro,
do teatro primordial que me formou.
é tudo teatro
sim, é tudo fachada.
mas ainda assim,
eu devia sentir dó.
uma saudade
de tais madrugadas?
será isto o normal?
por onde passo.
nas ervas daninhas do campo,
nos telhados de palácio,
ou nas ruelas mais merdas.
enfim, todo o lado é meu odor.
odor que me diz
que eu já não sou eu
e nem sinto pena,
mas porquê?
tais sensações de gozar
e não compreender,
tocar o véu do teatro,
do teatro primordial que me formou.
é tudo teatro
sim, é tudo fachada.
mas ainda assim,
eu devia sentir dó.
uma saudade
de tais madrugadas?
será isto o normal?
lições de um rio desvairado
fortes batidas
no saco nauseante.
perdi-me e quando sei disto
as fortes batidas são os mensageiros Apocalipse.
o artifício de seguir o fluxo
sem a matemática,
sem a honra digna de ser humano
é pura idiotice.
seguir, sim.
seguir o que é mais que momentâneo,
mas firmemente imortal e eternamente um grito.
entrar no jogo
vencer uma ronda
e perder na vida.
é sim, um sufoco,
permanente e ofegante.
algo de demente.
no saco nauseante.
perdi-me e quando sei disto
as fortes batidas são os mensageiros Apocalipse.
o artifício de seguir o fluxo
sem a matemática,
sem a honra digna de ser humano
é pura idiotice.
seguir, sim.
seguir o que é mais que momentâneo,
mas firmemente imortal e eternamente um grito.
entrar no jogo
vencer uma ronda
e perder na vida.
é sim, um sufoco,
permanente e ofegante.
algo de demente.
contínua dosagem de dopamina
para fora tudo que faz barulho.
cinza de triste
que me transpira à noite.
para fora o queimar a seco.
já ressequidos olhos
aos plasmas de luz.
correr entre o verde.
fingir ser pássaro na terra.
sentir o cair das penas.
presenciar a estação.
fugir de chuva.
ser o motivo de explosão
de pequena porção de lama.
viver devia ser mais que isto,
bem mais...
e às vezes é.
tão boa sensação, às vezes.
se isto é droga
deveria ser menos deprimente ao ínicio
e vagarosamente sentir mais do que nos é dado
para que seja uma contínua sensação empírica que desperta astros antes nunca vistos, forja signos, reúne cavaleiros,
e diz-me: sente o calor hoje, hoje.
cinza de triste
que me transpira à noite.
para fora o queimar a seco.
já ressequidos olhos
aos plasmas de luz.
correr entre o verde.
fingir ser pássaro na terra.
sentir o cair das penas.
presenciar a estação.
fugir de chuva.
ser o motivo de explosão
de pequena porção de lama.
viver devia ser mais que isto,
bem mais...
e às vezes é.
tão boa sensação, às vezes.
se isto é droga
deveria ser menos deprimente ao ínicio
e vagarosamente sentir mais do que nos é dado
para que seja uma contínua sensação empírica que desperta astros antes nunca vistos, forja signos, reúne cavaleiros,
e diz-me: sente o calor hoje, hoje.
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