cadeira presunçosa
nunca usada,
há quem prefira um lençol
sedento por seiva humana,
com vermes ali
em minha pele afastada.
levanto à luz,
finto a cidade entre os locais
que mais me falam.
uns quantos gestos
e procuro,
aliás eu procuro-te.
mas onde andas tu?
vejo-te...
nem sempre venho a esta cidade
faremos disto
um ato digno de ser apreciado.
faz-se nevoeiro,
onde estás tu?
perdi-te entre o macio.
pensei sermos o mesmo segmento,
a mesma linha de mão,
ainda assim,
sou rasgado em membros.
arrancaram-me tudo,
e a cada porção de mim,
um novo eu.
sou mero puzzle inacabado,
de vísceras unificadas, afastadas.
e tu carregas a última peça.
e hoje ceifo-te,
a preto e branco,
num quadrado, num flanco,
pois essa última peça
em tantos degraus tropeça!
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