meu intacto olhar, imortal
à palma de uma fortuna
que se via da ilha.
ilha, esta, que se vendia
a linhas de costura
que se riam ao horizonte.
e de um azul que não adormecia
e de um branco que se vendia
ao longe surge, certa vida?
mas era distante,
e meu intacto olhar
que pensara eu ser imortal
é levado como que força-vital.
agora o olhar é fresco,
reluz num tom animalesco
que uiva aos ares;
e de tanto mar,
eu vendia a imortalidade dele.
ao longe eu vi algo, atento,
que me mortalizou os olhos,
e me espancou o pensamento.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
sábado, 9 de dezembro de 2017
consciência, luto
hoje ela estava sentada,
a pele cai-lhe e não só.
toda a força lhe cai,
a agulha fere-lhe desta vez
e já não tortura a película,
pois a dor,
ah, a dor é-lhe dormente
de tanta ferida que não fecha em cicatriz,
e range o choro contra o ombro do filho
num desespero, um aperto de gatilho.
e toda a primavera que existiu,
neste perto do fim,
é-lhe concedida em cinzas, carvão
e suja sensação.
ela vê hoje amigos que lhe voam
para o algo que ninguém sabe.
mas ela sabe que um dia,
de alguma forma, ela também irá.
num deslize, no ápice do ar
a faca trespassará a vida sem duvidar.
e pesa-lhe deixar toda a parte dela
que está contida nos parentes.
hoje ela é outra pessoa.
e no próximo segundo o desconhecido.
a pele cai-lhe e não só.
toda a força lhe cai,
a agulha fere-lhe desta vez
e já não tortura a película,
pois a dor,
ah, a dor é-lhe dormente
de tanta ferida que não fecha em cicatriz,
e range o choro contra o ombro do filho
num desespero, um aperto de gatilho.
e toda a primavera que existiu,
neste perto do fim,
é-lhe concedida em cinzas, carvão
e suja sensação.
para o algo que ninguém sabe.
mas ela sabe que um dia,
de alguma forma, ela também irá.
num deslize, no ápice do ar
a faca trespassará a vida sem duvidar.
e pesa-lhe deixar toda a parte dela
que está contida nos parentes.
hoje ela é outra pessoa.
e no próximo segundo o desconhecido.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
o pós-carne
universo que expande
à dor nefasta
e sucede liberdade.
desvio
que se desvia
à escolha de um desvio.
a polaridade da vida.
- está alguém por perto?
a ânsia da procura.
perde a tinta,
escoa-a entre a rua,
faz ao desvio finta,
isto,
até ao fim do tempo.
o silêncio que perdura,
o infantil pensar de alvura,
o trato ao oponente imaginário,
o anjo caído só
na noite mais escura;
a traição,
e os mortos desconhecidos
que nos procuram;
ninguém o sabe.
no fim do tempo
o arché-dúvida perdura.
ah, ser absorvido
pelo pensar sedentário
num sono solitário
aos olhares invisíveis.
há infração.
o universo exalta-nos,
o anjo caído lacrimeja.
um grito de adeus,
a saudação do repouso,
a calmaria certa do vento,
e o não movimento
do músculo-sangue
ao fim do tempo.
está alguém aí?
à dor nefasta
e sucede liberdade.
desvio
que se desvia
à escolha de um desvio.
a polaridade da vida.
- está alguém por perto?
a ânsia da procura.
perde a tinta,
escoa-a entre a rua,
faz ao desvio finta,
isto,
até ao fim do tempo.
o silêncio que perdura,
o infantil pensar de alvura,
o trato ao oponente imaginário,
o anjo caído só
na noite mais escura;
a traição,
e os mortos desconhecidos
que nos procuram;
ninguém o sabe.
no fim do tempo
o arché-dúvida perdura.
ah, ser absorvido
pelo pensar sedentário
num sono solitário
aos olhares invisíveis.
há infração.
o universo exalta-nos,
o anjo caído lacrimeja.
um grito de adeus,
a saudação do repouso,
a calmaria certa do vento,
e o não movimento
do músculo-sangue
ao fim do tempo.
está alguém aí?
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
ofegante cegueira
a noite em que sopraste
e me possuiste, oh diabo.
ora, não seria diabo
ou qualquer entidade divina.
seria, sim, a alma;
pura e doce
que me persisto em querer.
e levitamos na nossa quimera
uma junção de mentes, iguais.
a explosão eterna ao fogo da fera.
e ao pouco ruído da cidade,
entre nós,
a luva solta-se
e a alma é nua.
ah, e este rasgar com o toque à alma.
o sangue do que dizes,
o desejo entre a escuridão
e o cortar o silêncio
com a tua respiração.
ah, a vida que se me morra
e eu que sinta para sempre
o teu suave toque.
e me possuiste, oh diabo.
ora, não seria diabo
ou qualquer entidade divina.
seria, sim, a alma;
pura e doce
que me persisto em querer.
e levitamos na nossa quimera
uma junção de mentes, iguais.
a explosão eterna ao fogo da fera.
e ao pouco ruído da cidade,
entre nós,
a luva solta-se
e a alma é nua.
ah, e este rasgar com o toque à alma.
o sangue do que dizes,
o desejo entre a escuridão
e o cortar o silêncio
com a tua respiração.
ah, a vida que se me morra
e eu que sinta para sempre
o teu suave toque.
domingo, 15 de outubro de 2017
vermelho artificial
um nada extremo, pleno.
sem cor.
sem forma.
ausência de tudo,
mas há vida.
não um sentir um tanto
ousado ao outrem.
algo de sangue,
que alguém lho pinta,
quase que tinta
que lhe percorre,
entre os fios,
um vermelho artificial.
e enquanto o nada existe,
a chuva molda a terra,
e se o nada existe
e ele é o nada
que não sente,
onde é morta a caçada,
este prefere ser
terra moldada.
sem cor.
sem forma.
ausência de tudo,
mas há vida.
não um sentir um tanto
ousado ao outrem.
algo de sangue,
que alguém lho pinta,
quase que tinta
que lhe percorre,
entre os fios,
um vermelho artificial.
e enquanto o nada existe,
a chuva molda a terra,
e se o nada existe
e ele é o nada
que não sente,
onde é morta a caçada,
este prefere ser
terra moldada.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
o silêncio da chama
um cosmo
num lapso preenchido
de planetas e poeira
e um todo universo,
tão pacificamente vasto
e afastado, que traz vigor
e levo a tinta neste papel a rasto.
e eu não desisto da viagem,
pois a tua melodia arrasta-me
à calma do arder,
à calma de uma explosão
que me estou a ceder.
a intensa viagem
longa e persistente
que me escorre o pensar
e me faz impotente.
universo que nos arde
com um propósito;
o silêncio da chama.
ah, esse silêncio mudo.
o pós-chama não é um nada
mas, a possibilidade de tudo.
num lapso preenchido
de planetas e poeira
e um todo universo,
tão pacificamente vasto
e afastado, que traz vigor
e levo a tinta neste papel a rasto.
e eu não desisto da viagem,
pois a tua melodia arrasta-me
à calma do arder,
à calma de uma explosão
que me estou a ceder.
a intensa viagem
longa e persistente
que me escorre o pensar
e me faz impotente.
universo que nos arde
com um propósito;
o silêncio da chama.
ah, esse silêncio mudo.
o pós-chama não é um nada
mas, a possibilidade de tudo.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
viagem ao escuro
relento e frio;
um rasgar de vida,
de formatos.
um castanho de trapos,
e o descanso à árvore.
um ou dois sonhos
neste perder entre a ilusão.
e é sonho;
a semelhança
à alma, à vida,
que se via
ao cruzar dum olhar
por entre a lava que flui
e a energia que te possui;
o sangue encoberto
no teu fitar;
a tinta da terra.
a calma, a não guerra,
o não lacrimejar,
que me inspira
e me forja
ao ruído da noite despida.
cada palavra
perdida, sentida, atirada,
como que pó de ar,
que ambos respiramos
e se fere em pulmão
ao contínuo viver
por uma remota dependência
que me inventa ficção.
cesso-me nesta escrita
pois cai-me a anestesia
e és mais que poesia.
um rasgar de vida,
de formatos.
um castanho de trapos,
e o descanso à árvore.
um ou dois sonhos
neste perder entre a ilusão.
e é sonho;
a semelhança
à alma, à vida,
que se via
ao cruzar dum olhar
por entre a lava que flui
e a energia que te possui;
o sangue encoberto
no teu fitar;
a tinta da terra.
a calma, a não guerra,
o não lacrimejar,
que me inspira
e me forja
ao ruído da noite despida.
cada palavra
perdida, sentida, atirada,
como que pó de ar,
que ambos respiramos
e se fere em pulmão
ao contínuo viver
por uma remota dependência
que me inventa ficção.
cesso-me nesta escrita
pois cai-me a anestesia
e és mais que poesia.
sábado, 7 de outubro de 2017
âmago da terra
matriz, dona, alteza.
a raiz,
que nos segura
sem pergunta.
por definição;
é peso-ferro da perfeição.
o caule,
é mais que ligação;
osso de vida.
madeira primordial,
é aqui que o sonho se enfrenta;
e uns arruínam-se à estrada.
perco-me.
ora, o seivoso foge-me,
e dito-me à morte,
ora, ele é-me no sangue próprio fluxo
e o nosferatu corrói o nefasto.
a folha,
a colagem do segmento,
ao longe,
sem erro,
é um reflexo da matriz-ferro,
uma alucinação ao enterro.
fazem-se exemplo do que é o ser.
concedem visão ao átomo-gigante;
este suporte aéreo que diante
aos nossos olhos
persegue, ao seu ritmo,
o momento do vento.
a raiz,
que nos segura
sem pergunta.
por definição;
é peso-ferro da perfeição.
o caule,
é mais que ligação;
osso de vida.
madeira primordial,
é aqui que o sonho se enfrenta;
e uns arruínam-se à estrada.
perco-me.
ora, o seivoso foge-me,
e dito-me à morte,
ora, ele é-me no sangue próprio fluxo
e o nosferatu corrói o nefasto.
a folha,
a colagem do segmento,
ao longe,
sem erro,
é um reflexo da matriz-ferro,
uma alucinação ao enterro.
fazem-se exemplo do que é o ser.
concedem visão ao átomo-gigante;
este suporte aéreo que diante
aos nossos olhos
persegue, ao seu ritmo,
o momento do vento.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
fotografia
persisto e mudo.
mudo e de oratórias.
um falso visionário,
com mútuas moralidades
que se secam entre a língua.
incerta, postiça opinião,
falsa num longo termo,
ainda que, mais puro e verdadeiro
elo entre mim e o tudo,
assente franca essência do momento.
não lamento.
sou do momento,
fantoche controlado.
um masoquista do que fiz,
um sádico do que farei.
aliás, neste intervalo lúcido,
pergunto-me
e que faço?
mudo e de oratórias.
um falso visionário,
com mútuas moralidades
que se secam entre a língua.
incerta, postiça opinião,
falsa num longo termo,
ainda que, mais puro e verdadeiro
elo entre mim e o tudo,
assente franca essência do momento.
não lamento.
sou do momento,
fantoche controlado.
um masoquista do que fiz,
um sádico do que farei.
aliás, neste intervalo lúcido,
pergunto-me
e que faço?
domingo, 17 de setembro de 2017
o artista de ontem jaz
hoje,
a janela não parte.
o ferro quebrou.
a granada é arte
que de nós faz parte.
a natureza do vivo é sombria,
sangue que nos escapa,
um puro veneno mortal.
o vivo é, ainda, um inverso
do que era e do que será,
como que grifo disperso.
e rapaz que marcha,
vai de mãos nos bolsos,
cigarro a pingar cinza,
um olhar atento ao azul imortal.
a rua paralisada,
tapete vermelho é agora lama
da bota do rapaz,
que não se arrepende
de um único passo que traz.
a inerte rua ajoelha-se
à pintura-outono que se faz.
pois este é, o artista,
que se grita ativista.
e a morte ao outro é arte!?
a janela não parte.
o ferro quebrou.
a granada é arte
que de nós faz parte.
a natureza do vivo é sombria,
sangue que nos escapa,
um puro veneno mortal.
o vivo é, ainda, um inverso
do que era e do que será,
como que grifo disperso.
e rapaz que marcha,
vai de mãos nos bolsos,
cigarro a pingar cinza,
um olhar atento ao azul imortal.
a rua paralisada,
tapete vermelho é agora lama
da bota do rapaz,
que não se arrepende
de um único passo que traz.
a inerte rua ajoelha-se
à pintura-outono que se faz.
pois este é, o artista,
que se grita ativista.
e a morte ao outro é arte!?
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
estátua de cera
e a volta ao mundo
dá-se em quedas.
quente e intensa
quimera esta que me persiste.
segundos de vigor,
e outros de anestesia.
escreve-se da flor,
morre-me a poesia.
tal justiça que se corrói
entre dente rígido, e rói
o mais precioso e singular
enigma que de nós
faz estátua, não apenas arte
mas jornada esperada,
unha e pele na terra de marte.
moleza penosa
que porto em mim,
na esfera bate asas mariposa.
tudo de rosto seco,
lábio que descai,
perdido som no eco.
o cinzento meditar.
o depois de luz, lasso,
o depois de vida, tépido,
o lodoso pós-vela,
é-me agora ferro de cela.
dá-se em quedas.
quente e intensa
quimera esta que me persiste.
segundos de vigor,
e outros de anestesia.
escreve-se da flor,
morre-me a poesia.
tal justiça que se corrói
entre dente rígido, e rói
o mais precioso e singular
enigma que de nós
faz estátua, não apenas arte
mas jornada esperada,
unha e pele na terra de marte.
moleza penosa
que porto em mim,
na esfera bate asas mariposa.
tudo de rosto seco,
lábio que descai,
perdido som no eco.
o cinzento meditar.
o depois de luz, lasso,
o depois de vida, tépido,
o lodoso pós-vela,
é-me agora ferro de cela.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
silêncio incolor indolor
a vida cansa.
aborrecido palavreado,
um cansaço à dança,
osso fraco derreado
cai-se, derretido, perdido.
dizem alguns que o fim liberta;
diria, alguns, família, em tom de desconforto,
de mão quente e de sangue a possuí-los.
sangue este que, escorrera, em tempos,
num cansaço de marcha.
seria agora mata-sede de rocha.
ah, e a beleza da vida?
que este pensar, sujo e não próprio,
ganhe por instantes autonomia.
que seja eu livre acessório,
marioneta velha que de tanto uso
se morra a madeira, o ferro, o parafuso.
estou mais que gasto,
e o humano é tanto mais fraco
quanto mais se vive pelo sentir.
aborrecido palavreado,
um cansaço à dança,
osso fraco derreado
cai-se, derretido, perdido.
dizem alguns que o fim liberta;
diria, alguns, família, em tom de desconforto,
de mão quente e de sangue a possuí-los.
sangue este que, escorrera, em tempos,
num cansaço de marcha.
seria agora mata-sede de rocha.
ah, e a beleza da vida?
que este pensar, sujo e não próprio,
ganhe por instantes autonomia.
que seja eu livre acessório,
marioneta velha que de tanto uso
se morra a madeira, o ferro, o parafuso.
estou mais que gasto,
e o humano é tanto mais fraco
quanto mais se vive pelo sentir.
terça-feira, 22 de agosto de 2017
tinta-sangue
desfigurada pele
ao tom de violentos olhos.
um escuro avermelhado
e uma clareza de propósitos.
a morte,
a matança,
que me alcança;
enquanto percorro a calçada,
fria, ao fervor da vida,
uma ameaça mais que divina,
real.
um corredor de espelhos,
não um retrato, vários.
do outro lado,
um corredor de retratos,
e mais que espelhos espalhados.
porque me faço mirar?
como se cada parcela de tinta,
cada cubículo de vários retratos,
fosse, em precisão,
uma separada coleção.
disjunções de um início.
uma definição de universo.
eu mesmo ao tato
de uns quantos.
todavia não o posso sentir.
um cortar de membros,
que, separados,
avistam o mundo.
um relógio de sangue,
em calmo açougue,
pinta o tempo num tic-tac.
e tal aberração e tais assombrações,
de quem a noite nos teme,
são mais puro espelho
do que em nós existe.
ao tom de violentos olhos.
um escuro avermelhado
e uma clareza de propósitos.
a morte,
a matança,
que me alcança;
enquanto percorro a calçada,
fria, ao fervor da vida,
uma ameaça mais que divina,
real.
um corredor de espelhos,
não um retrato, vários.
do outro lado,
um corredor de retratos,
e mais que espelhos espalhados.
porque me faço mirar?
como se cada parcela de tinta,
cada cubículo de vários retratos,
fosse, em precisão,
uma separada coleção.
disjunções de um início.
uma definição de universo.
eu mesmo ao tato
de uns quantos.
todavia não o posso sentir.
um cortar de membros,
que, separados,
avistam o mundo.
um relógio de sangue,
em calmo açougue,
pinta o tempo num tic-tac.
e tal aberração e tais assombrações,
de quem a noite nos teme,
são mais puro espelho
do que em nós existe.
domingo, 6 de agosto de 2017
flutuar à companhia
deixa-me na chuva,
pois isto é mais que tortura,
mais que anteceder a própria morte,
é fazer na própria alma sufoco-corte.
e eu quero tanto,
mas nem consigo expor-me.
da minha voz foge a força
e sou deserto-oceano.
algo que nunca sou
num lugar remoto,
entre uma onda,
entre um maremoto...
seguro um prisma de cor
que reflete mundos.
eu, preso entre mundos,
condeno-me ao chão verde,
desligo o ver.
onde os sonhos são palpáveis:
e estamos perante uma génesis,
uma batalha medieval,
um romance sem final,
a imortalidade de um olhar,
e quando olho para ti
és apenas pó do meu pensar.
a dificuldade de me assentar
no que afinal é real
rouba-me futuro
e força de carne
num dos mundos.
de escolha entre eles
dedico-me à fantasia,
um tormento que me condena
a uma afinidade à distasia.
esta, a saga de outro mundo,
é uma constante espiral,
onde passeamos até ao seu fundo.
e perdemos tudo,
de vida na mão
fazemos um jogo de dardos.
sou um fã do sonho
e de ti.
pois isto é mais que tortura,
mais que anteceder a própria morte,
é fazer na própria alma sufoco-corte.
e eu quero tanto,
mas nem consigo expor-me.
da minha voz foge a força
e sou deserto-oceano.
algo que nunca sou
num lugar remoto,
entre uma onda,
entre um maremoto...
seguro um prisma de cor
que reflete mundos.
eu, preso entre mundos,
condeno-me ao chão verde,
desligo o ver.
onde os sonhos são palpáveis:
e estamos perante uma génesis,
uma batalha medieval,
um romance sem final,
a imortalidade de um olhar,
e quando olho para ti
és apenas pó do meu pensar.
a dificuldade de me assentar
no que afinal é real
rouba-me futuro
e força de carne
num dos mundos.
de escolha entre eles
dedico-me à fantasia,
um tormento que me condena
a uma afinidade à distasia.
esta, a saga de outro mundo,
é uma constante espiral,
onde passeamos até ao seu fundo.
e perdemos tudo,
de vida na mão
fazemos um jogo de dardos.
sou um fã do sonho
e de ti.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
liberdade de mente
paisagem marinha.
ondas que vão,
retornam sempre
e mais carga levam.
até que: catástrofe.
e construo o horror,
bloco a bloco,
edifício estilo barroco,
fazendo do nada
faço tudo.
mas que nada?
qual nada? qual tudo?
labirinto de convergências,
acasos de alternância
que se tendem em prudências.
facilmente concedo-me,
e perco-me entre o cair
das cores e da mental-sinestesia.
ah, da pura liberdade
reencarno a ave.
sou fogo-auréola de anjo
quando das penas me pego
e descubro para além dos mares.
vem-me no sangue
a sedenta vontade
que me afasta de morgue
e faz da carne
película dobrável,
que vagueia à luz
pelo branco e seu cerne.
ondas que vão,
retornam sempre
e mais carga levam.
até que: catástrofe.
e construo o horror,
bloco a bloco,
edifício estilo barroco,
fazendo do nada
faço tudo.
mas que nada?
qual nada? qual tudo?
labirinto de convergências,
acasos de alternância
que se tendem em prudências.
facilmente concedo-me,
e perco-me entre o cair
das cores e da mental-sinestesia.
ah, da pura liberdade
reencarno a ave.
sou fogo-auréola de anjo
quando das penas me pego
e descubro para além dos mares.
vem-me no sangue
a sedenta vontade
que me afasta de morgue
e faz da carne
película dobrável,
que vagueia à luz
pelo branco e seu cerne.
rua medieval de injúrias
desalinho as linhas
que de piano fazem vida.
limiares de organização
turvam-me a visão.
tudo em raiva, crespo.
forte raiz rugosa rege
de vivências que protege.
espasmos de carne,
espasmos mentais.
ora, medieval fronteira
ocorre-me:
faremos duelo nobre.
sangue exaltado,
gritos eufóricos,
últimos suspiros
e paz.
atentos olhos
prestes a saltar,
energia desce até à boca
e coisa que me perturba,
culpar o outro por minha
instabilidade e culpa.
humor feroz, tímido
e intercalado
solta-me impressões
em turbilhões do pensar.
injúrias e perco-me em multidões.
que de piano fazem vida.
limiares de organização
turvam-me a visão.
tudo em raiva, crespo.
forte raiz rugosa rege
de vivências que protege.
espasmos de carne,
espasmos mentais.
ora, medieval fronteira
ocorre-me:
faremos duelo nobre.
sangue exaltado,
gritos eufóricos,
últimos suspiros
e paz.
atentos olhos
prestes a saltar,
energia desce até à boca
e coisa que me perturba,
culpar o outro por minha
instabilidade e culpa.
humor feroz, tímido
e intercalado
solta-me impressões
em turbilhões do pensar.
injúrias e perco-me em multidões.
quinta-feira, 29 de junho de 2017
reviravolta/revinda
1. a una
flor adormecida em campo
e eu de sono sou.
de pura conexão
rouba-me a visão.
flor de espaço solitário
e nos outros campos,
todas de proximidade,
mares de pétalas em paisagem.
brevemente a mente
concede-me liberdade.
esta flor que me acende
e em dias de raio
de pedra faz-me sangue-joelho,
quando outras são paisagem de lacaio.
2. a viagem
minha desolada alma
que partiu
ao vê-la partir,
frágil, que se entrega
aos outros que, de cinza paisagem,
a sufocam no tempo ao segundo.
e ilumina-me ao acabar o mundo
e acaba-se o mundo por ela
com ela, e por ela.
e minha mente quebra-se
em confusão de memória.
coisa não em vista,
mas de dor realista.
3. o retorno
traz o vento uma fala,
que agasalha ouvido,
relembrando minha forte chama
no passado que não é esquecido.
a flor volta em primavera.
ah a alma, perdeu-se ao planar,
de tão suspensa que esticou do limiar,
para do presente ser tal memória,
que de vento deve atiçar
a chama de água que aviva flor.
e rouba-me esperança
por possuir cadáveres à sua frente
que elemento nenhum sentem,
e eu mutuamente sou natureza
e então porque morres?
sexta-feira, 23 de junho de 2017
as lâmpadas e o jardim à sombra
uma lembrança de criança,
carregada visão, ao escuro,
e via-se ao sentir da relva,
do deserto ao glaciar.
lá estava eu, confortável, ao luar
com um brilho escurecido
de astros que me iam iludindo
e da minha energia consumindo.
a cada contemplação
os meus olhos saem-me
e faziam-se do vazio
ao familiar universo,
como que visse,
e fosse, um deus.
presenciava a rotação,
um ciclo de titãs e eletrões,
que se repete ao infinito.
mas das ideias surge a vida:
seria eu um distúrbio
ao fruto das ideias mais queridas?
os outros montes
e agora que é tudo linear;
a nuvem, já polida,
deixa-se, e eu com ela
em fortes quedas
de planaltos e montes.
e porque que me levas?
do devaneio era eu
um servo infiel à vida,
nem serve ao consolo
o mais fino e liso papel.
trazem-me os outros
uma gravata-bordel.
e faço-me de peça oculta.
acessório que se fixa
ao sal e ao animal
na rocha-mar.
que se volte ao tempo
de clima de chuva.
fazer-me olhar a noite
e o céu ao ruído,
de ervas da vida,
de olhos fechados
onde tudo possa ser
de novo uma fantasia.
a nuvem, já polida,
deixa-se, e eu com ela
em fortes quedas
de planaltos e montes.
e porque que me levas?
do devaneio era eu
um servo infiel à vida,
nem serve ao consolo
o mais fino e liso papel.
trazem-me os outros
uma gravata-bordel.
e faço-me de peça oculta.
acessório que se fixa
ao sal e ao animal
na rocha-mar.
que se volte ao tempo
de clima de chuva.
fazer-me olhar a noite
e o céu ao ruído,
de ervas da vida,
de olhos fechados
onde tudo possa ser
de novo uma fantasia.
terça-feira, 30 de maio de 2017
fios escuros, pele clara
o orgulho de quem comanda
e faz-se inverno
sem qualquer líquido.
passou ao vento.
deixou o aroma,
aquela aura,
de pura estranheza
e frieza ao mundo.
e eu sei-a
como quem nasce,
como quem renasce.
um medo que lhe faz
com película sagaz.
respira o sentir sem hesitar,
pois o sofrer
é-lhe uma cicatriz.
e mudou atitude
quando lhe mostro
meu pequeno, quente, mundo.
um riso puro
no voar ao segundo,
um olhar doce
num forte instante.
mas eu espero-te,
pura e pálida,
em casa-madeira.
porque estás perdida
entre o oceano
e pedes por uma ilha.
e a sede, a tua sede
no meio de tanta água.
quando
olhei para um reflexo de primavera que carregavas nos olhos.
e faz-se inverno
sem qualquer líquido.
passou ao vento.
deixou o aroma,
aquela aura,
de pura estranheza
e frieza ao mundo.
e eu sei-a
como quem nasce,
como quem renasce.
um medo que lhe faz
com película sagaz.
respira o sentir sem hesitar,
pois o sofrer
é-lhe uma cicatriz.
e mudou atitude
quando lhe mostro
meu pequeno, quente, mundo.
um riso puro
no voar ao segundo,
um olhar doce
num forte instante.
mas eu espero-te,
pura e pálida,
em casa-madeira.
porque estás perdida
entre o oceano
e pedes por uma ilha.
e a sede, a tua sede
no meio de tanta água.
quando
olhei para um reflexo de primavera que carregavas nos olhos.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
a viagem ao dever
devia e insisto no dever,
ainda que faminto,
não de alimento...
de uma essência,
um olhar longe e atento
de vida transparente.
poucos o sabem.
não sei ao certo,
mas desconfio e sonho.
sei-a.
e mal suporto a luz
ao fitar sombrio dela.
e da ilusão sou adepto.
em cada máscara
uma nova máscara
que me atrevo a pisar
e fazer emergir a essência.
nada de coisa superficial,
uma filosofia a cada olhar,
uma vida ainda a proclamar,
talvez com o meu grito.
acontece-me.
ainda que faminto,
não de alimento...
de uma essência,
um olhar longe e atento
de vida transparente.
poucos o sabem.
não sei ao certo,
mas desconfio e sonho.
sei-a.
e mal suporto a luz
ao fitar sombrio dela.
e da ilusão sou adepto.
em cada máscara
uma nova máscara
que me atrevo a pisar
e fazer emergir a essência.
nada de coisa superficial,
uma filosofia a cada olhar,
uma vida ainda a proclamar,
talvez com o meu grito.
acontece-me.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
ideal vidro translucido
estou preso em pregos
na madeira e na parede.
não sou aquele,
faço-me por ser outro
e faço-me por esse outro,
talvez mais.
prefiro ser um deles,
confortável ao vidro translucido.
talvez como livro
de capa rasgada e empoeirada,
pouco lido
de muitas páginas
e grande desordem
entre as palavras.
tontura e angustia
de pescoço rosa.
um toque de doce luva
na pele ainda jovem.
doente?
duvida, e atormentado pensar.
uma plataforma
em bloco que sobe
até a um topo.
um arquiteto mental.
torre de metros, já.
ideal torre para paisagem-vida.
ideal mente.
esta é ideal
para um idealista,
que me auto-proclamo,
nem quero, nem queria
contínua dosagem de agonia.
na madeira e na parede.
não sou aquele,
faço-me por ser outro
e faço-me por esse outro,
talvez mais.
prefiro ser um deles,
confortável ao vidro translucido.
talvez como livro
de capa rasgada e empoeirada,
pouco lido
de muitas páginas
e grande desordem
entre as palavras.
tontura e angustia
de pescoço rosa.
um toque de doce luva
na pele ainda jovem.
doente?
duvida, e atormentado pensar.
uma plataforma
em bloco que sobe
até a um topo.
um arquiteto mental.
torre de metros, já.
ideal torre para paisagem-vida.
ideal mente.
esta é ideal
para um idealista,
que me auto-proclamo,
nem quero, nem queria
contínua dosagem de agonia.
sábado, 20 de maio de 2017
um respirar no universo
animal de poeira,
de canto em canto,
em colónia,
em voz um comando,
em silêncio executado.
trabalho sem fim,
sem força, sem olhar, já.
a abelha.
ao lume do metal
finge ser problema
de natureza, planta.
ao lume do olhar
é um padrão-isqueiro,
complexo em labirinto
no universo total.
sei que sou
alma em corpo,
consciência vincada.
raro, extremo acaso
acendeu-me, levitou-me.
sou eu, e mais digo
serei eu enquanto ser
e irei-me perder
enquanto ser
quando deixar eu de ser
a meu constante ver
um bruto animal a adormecer
e vejo-me a rever,
e reservo-me a ser
quem sou neste instante,
um brusco movimento cessante.
de canto em canto,
em colónia,
em voz um comando,
em silêncio executado.
trabalho sem fim,
sem força, sem olhar, já.
a abelha.
ao lume do metal
finge ser problema
de natureza, planta.
ao lume do olhar
é um padrão-isqueiro,
complexo em labirinto
no universo total.
sei que sou
alma em corpo,
consciência vincada.
raro, extremo acaso
acendeu-me, levitou-me.
sou eu, e mais digo
serei eu enquanto ser
e irei-me perder
enquanto ser
quando deixar eu de ser
a meu constante ver
um bruto animal a adormecer
e vejo-me a rever,
e reservo-me a ser
quem sou neste instante,
um brusco movimento cessante.
terça-feira, 25 de abril de 2017
vértice interior macróbio
iremos sobrevoar
que nem uma tarântula
a dançar perante a presa,
perante aqueles que caiem,
rompem do peito ao calcanhar
e depois vivem o diem
num fluxo de carpe,
ah, esqueçam lá o requiem.
somos as presas,
na complexidade de teia,
e estamos encurralados.
sempre condenados.
não aspirem tão raso.
nós voamos,
roubamos vida
ao pairar da cidade,
controlamos o sossego,
estamos no sossego
e quem desejar
romper tal paz,
nirvana é resposta.
nirvana onírica
não específica
e desmistifica.
ponto de encontro
nas manhãs de medo
condenadas ao delírio.
esqueces a vida
quando cada pedaço
de ti em pele
se transforma num rio
de formigueiro
em sensação poderosa.
deus comum
a viver do século.
és mais, já sentes?
que nem uma tarântula
a dançar perante a presa,
perante aqueles que caiem,
rompem do peito ao calcanhar
e depois vivem o diem
num fluxo de carpe,
ah, esqueçam lá o requiem.
somos as presas,
na complexidade de teia,
e estamos encurralados.
sempre condenados.
não aspirem tão raso.
nós voamos,
roubamos vida
ao pairar da cidade,
controlamos o sossego,
estamos no sossego
e quem desejar
romper tal paz,
nirvana é resposta.
nirvana onírica
não específica
e desmistifica.
ponto de encontro
nas manhãs de medo
condenadas ao delírio.
esqueces a vida
quando cada pedaço
de ti em pele
se transforma num rio
de formigueiro
em sensação poderosa.
deus comum
a viver do século.
és mais, já sentes?
sábado, 22 de abril de 2017
um robô desconfigurado
lado a lado,
corte de cintura
à íris florida.
raiva escura,
guerra vermelha,
agonia branca.
esticar ao limiar
com um forte grito.
leva ao leve vento
forte desejo de alimento
comida-carvão, rato.
perda de vitalidade...
sem importância?
com consistência.
e eu, bipolaridade da alternância
e presto homenagens
a quem previne diligências
e a quem as define
e as manipula.
suave coro
na natureza
ao transtorno
do corte ousado
ao mundo-fruto.
por vezes estes
fabricados ao fumo industrial
do homem-demência.
sintéticos os vossos.
estarão meus olhos
corrompidos de fumo?
serei eu robô?
"senhor robô,
aperte a gravata!"
corte de cintura
à íris florida.
raiva escura,
guerra vermelha,
agonia branca.
esticar ao limiar
com um forte grito.
leva ao leve vento
forte desejo de alimento
comida-carvão, rato.
perda de vitalidade...
sem importância?
com consistência.
e eu, bipolaridade da alternância
e presto homenagens
a quem previne diligências
e a quem as define
e as manipula.
suave coro
na natureza
ao transtorno
do corte ousado
ao mundo-fruto.
por vezes estes
fabricados ao fumo industrial
do homem-demência.
sintéticos os vossos.
estarão meus olhos
corrompidos de fumo?
serei eu robô?
"senhor robô,
aperte a gravata!"
quinta-feira, 20 de abril de 2017
vincado momento
mais que arrepio
pesado e rápido,
vincado movimento
que marca um pensar
sobre momento de passado
que foi desastre,
um ultraje.
e quanto mais
e me elevo
na torre-memória
cortam-me sem misericórdia,
como quem dedilha
guitarra: em cada corda
um membro fora,
um respirar que outrora
fora calmo e sedativo.
e tal capricho
aqui descrito
deveria ser chuva
sagrada que limpa,
mas passa por, uma
ou duas falsas gotas
divinas a quem presto
nenhuma e muito homenagem.
pesado e rápido,
vincado movimento
que marca um pensar
sobre momento de passado
que foi desastre,
um ultraje.
e quanto mais
e me elevo
na torre-memória
cortam-me sem misericórdia,
como quem dedilha
guitarra: em cada corda
um membro fora,
um respirar que outrora
fora calmo e sedativo.
e tal capricho
aqui descrito
deveria ser chuva
sagrada que limpa,
mas passa por, uma
ou duas falsas gotas
divinas a quem presto
nenhuma e muito homenagem.
quinta-feira, 13 de abril de 2017
final de estrada
é o demónio
que nos descrê
e consome-nos sem motivo.
somos usuários de coroas de espinhos.
não há força que nos valha.
destinados estamos
e não pensamos nisto?
será melhor viver por baixo
do tecido vencedor?
será melhor tentar esquecer
a avareza que nos destina?
será?
fico sem dom.
sem alma
sou um nada,
quando tudo podia ser.
que nos descrê
e consome-nos sem motivo.
somos usuários de coroas de espinhos.
não há força que nos valha.
destinados estamos
e não pensamos nisto?
será melhor viver por baixo
do tecido vencedor?
será melhor tentar esquecer
a avareza que nos destina?
será?
fico sem dom.
sem alma
sou um nada,
quando tudo podia ser.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
és na minha mente
olhos cinza,
cigarro de cinzas,
pálida de peles,
vive em friezas.
neutra que nutre avarezas,
constrói fortalezas
com detalhes impróprios
e muitas fraquezas.
material-areia faz suporte lento,
fraco e escasso.
carrega fardos,
pesos, volumes,
olhares em paisagens,
vivências sentidas
num passado emocional.
foge e difere dos antepassados.
corre! foge da realidade!
lábia domesticada,
e atrás do rosto
um mundo novo
distorcido e real.
um real irónico.
ah, às vezes...
frágil, de perfume forte.
um sorriso roubado,
apagado, disfarçado?
roleta de faces,
caminhos perdidos,
faces a que te prendes,
não te arrependes?
cigarro de cinzas,
pálida de peles,
vive em friezas.
neutra que nutre avarezas,
constrói fortalezas
com detalhes impróprios
e muitas fraquezas.
material-areia faz suporte lento,
fraco e escasso.
carrega fardos,
pesos, volumes,
olhares em paisagens,
vivências sentidas
num passado emocional.
foge e difere dos antepassados.
corre! foge da realidade!
lábia domesticada,
e atrás do rosto
um mundo novo
distorcido e real.
um real irónico.
ah, às vezes...
frágil, de perfume forte.
um sorriso roubado,
apagado, disfarçado?
roleta de faces,
caminhos perdidos,
faces a que te prendes,
não te arrependes?
terça-feira, 21 de março de 2017
o reverendo ancião
vivi. rompi gengivas,
sangrei os joelhos.
sobrevivi. parti maxilares,
caí, e saltei de novo.
sobrevoei a vida que planeei.
e foi isto.
a vida não é nada do que dizem.
nem de perto.
a vida é um constante pensar
sobre o que fazer,
se inteligente pensar a longo prazo.
mas viver pelo momento,
é saborear o saber viver,
o saber expressar vida,
saber ditar vida,
falar por cima dela.
e isso é ser deus.
um mero aprendiz
que constrói castelos de areia
não sente o poder
de mudar a vida num olhar,
mas pode.
tudo tão delicado e fino.
a mero toque
explosão de vida,
ou de morte.
sombria, firme de pé
de foice na mão
um sorriso malicioso
e tudo foi em vão.
ou não, então,
traz-me um sermão,
senhor desilusão,
agora faço parte da exclusão,
aqueles que respiram a própria conclusão.
sangrei os joelhos.
sobrevivi. parti maxilares,
caí, e saltei de novo.
sobrevoei a vida que planeei.
e foi isto.
a vida não é nada do que dizem.
nem de perto.
a vida é um constante pensar
sobre o que fazer,
se inteligente pensar a longo prazo.
mas viver pelo momento,
é saborear o saber viver,
o saber expressar vida,
saber ditar vida,
falar por cima dela.
e isso é ser deus.
um mero aprendiz
que constrói castelos de areia
não sente o poder
de mudar a vida num olhar,
mas pode.
tudo tão delicado e fino.
a mero toque
explosão de vida,
ou de morte.
sombria, firme de pé
de foice na mão
um sorriso malicioso
e tudo foi em vão.
ou não, então,
traz-me um sermão,
senhor desilusão,
agora faço parte da exclusão,
aqueles que respiram a própria conclusão.
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